Medidas
simples evitam crimes eletrônicos.
By:
Revista Consultor Jurídico, 7 de janeiro de
2013
Apesar
do avanço dos recursos eletrônicos e das medidas administrativas e jurídicas no
combate aos crimes cibernéticos, o descuido das pessoas continua
criando a “ocasião que faz o ladrão”. A Lei
12.735,
que tipificou infrações cibernéticas no Brasil,
por exemplo, foi publicada no dia 3 de
dezembro e entra em vigor em março. Mas de nada adiantam ferramentas
sofisticadas se as pessoas deixam de tomar as precauções mais simples, conta a
jornalista Kashmir Hill, da revista FORBES.
Há
sistemas de segurança elaborados especialmente para a comunidade jurídica,
especialmente sensível a roubos de dados. Afinal, o acesso de intrusos a
informações confidenciais de clientes, de casos em andamento, do escritório do Advogado,
da sala do Promotor ou do gabinete do Juiz
pode gerar consequências irreversíveis.
"Absolutamente
nada é seguro. Quanto mais potencialmente valiosa a informação, haverá maior
investimento em inteligência e espionagem para obtê-la",
diz o advogado Jair
Jaloreto, especializado em crimes financeiros. "As
informações só devem estar disponíveis a quem interessa: ao advogado, seu
cliente e o juiz da causa."
Antes
de armar um sistema sofisticado de segurança para transformar seu ambiente em
uma fortaleza contra ataques cibernéticos, o profissional deve se preocupar com
coisas mais simples, tais como "fechar a porta da casa".
Isso significa adotar medidas mínimas de proteção de dados em smartphones,
tablets
e computadores.
E o mais importante: tornar isso um hábito.
"De
fato, vem ocorrendo um aprimoramento tecnológico e jurídico para aumentar a
esfera de proteção dos usuários da rede mundial de computadores. Mas enquanto
os próprios usuários não se conscientizarem de que suas ações ou omissões podem
se consistir em verdadeiros gatilhos para a prática de atos lesivos por
terceiros, nada será suficientemente eficaz",
diz o advogado David
Rechulski, especializado em crimes cibernéticos.
A
FORBES
relaciona dez medidas "arroz-com-feijão" às
quais qualquer profissional, incluindo os da comunidade jurídica, deve se
habituar para se proteger contra bisbilhoteiros, intrusos e criminosos. Algumas
recomendações, apesar de parecerem óbvias, são desprezadas por pessoas que não
podem ser consideradas ingênuas:
1.
Faça o que todos sabem que é óbvio: use senhas para proteger seus
dispositivos
Parece
inacreditável, mas muitos usuários de smartphones,
tablets
e computadores
não
se dão ao trabalho de registrar senhas ou não têm paciência para digitá-las,
quando querem usar seus dispositivos. Isso equivale a deixar algo valioso no
banco do carro e com a porta destrancada. Nenhum ladrão resiste à ocasião. Não
é uma necessidade apenas para quem tira fotos comprometedoras com o celular —
fotos que acabam na INTERNET.
É uma necessidade de proteger mensagens e documentos confidenciais.
"Muitos
internautas também têm o péssimo hábito de salvar, para preenchimento
automático, suas senhas ou chaves de acesso para login",
diz Rechulski.
"Fraudes corporativas, envolvendo
perdas milionárias porque funcionários compartilharam seus logins e senhas, em
violação à política de segurança da informação, já se tornaram uma
rotina."
2.
Crie alertas do Google
Você
pode criar alertas com o seu nome, o nome do escritório e palavras-chave
ligados a suas informações confidenciais. Se qualquer deles for mencionado na
Internet, você recebe um alerta por e-mail. Os alertas também são
úteis para se acompanhar algum tema de interesse do usuário.
3.
Use as redes sociais com moderação
Muitos
assuntos privados caem em mãos erradas ou se tornam objeto de investigação
porque as pessoas não tomam essa simples providência: ir à configuração de
privacidade do FACEBOOK
para trocar o acesso público para personalizado, limitando o acesso de pessoas
à página. Certifique-se de configurar a privacidade em todas as redes sociais.
Além
disso, é preciso declinar o convite das REDES SOCIAIS
para atualizar seu PERFIL.
Via de regra, redes sociais são um perigo constante. São altamente susceptíveis
a falhas de segurança e uma fonte de provas contra o usuário, quando qualquer
tipo de suspeita recai sobre ele.
"Não
escreva nada na
INTERNET e nas REDES SOCIAIS que não possa ser escrito em um
outdoor",
recomenda Jaloreto. "Mesmo
que uma prova obtida de forma ilícita for assim considerada por decisão
judicial, certamente influenciará o julgador que a ela teve acesso, e pode ser
um problema ainda maior se vir a público",
ele diz.
4.
Desconecte-se do serviço ao terminar de usá-lo.
Depois
de se comunicar pelo LINKEDIN, TWITTER, FACEBOOK, MSN, G’MAIL
ou qualquer serviço de e-mail baseado na Internet, não se esqueça de "sair"
ou fazer o "logout". Isso impede que qualquer pessoa que tenha
acesso a seu dispositivo — emprestado, perdido ou roubado
— tenha acesso a seu conteúdo. No caso de usar um computador emprestado ou em
qualquer lugar público, isso se torna especialmente importante. Mesmo que
esteja atrasado ou com pressa, perca mais alguns segundos e evite um problema
maior.
5.
Não divulgue seus dados pessoais.
Não
informe a sites de lojas, organizações ou pessoas seu endereço de e-mail,
número de telefone ou CEP,
a não ser a quem você confia. Muitas lojas vendem seu "PERFIL"
e seus "interesses de compra". Em alguns casos, você pode
optar por não fornecer essas informações.
6.
Criptografe seu computador
A
palavra "criptografia" pode soar como uma traição à
simplicidade prometida para esses procedimentos de segurança, mas é uma coisa
fácil de fazer. Criptografar seu computador significa que qualquer outra pessoa
precisa ter sua senha — ou chave criptográfica — para ter acesso ao conteúdo em
seu disco rígido. Em um MACINTOSH,
basta ir a “Preferências”, “Segurança”, “Filevault”
e “Ativar”.
Em PCs,
pode-se usar, por exemplo, o BITLOCKER.
No caso de advogados, promotores e juízes, essa medida é indispensável.
7.
Ative o segundo passo de autenticação do G’mail
Essa
simples medida pode tornar praticamente impossível violar suas mensagens de
e-mail por alguém que tenha acesso a seu smartphone ou tablet.
Para que outra pessoa tenha acesso a suas mensagens, ela precisa ter, além de
seu nome de usuário e sua senha, um código que é
enviado para seu telefone. A GOOGLE
diz que milhões de pessoas utilizam essa ferramenta. Para qualquer outro
serviço de e-mail baseado na Web,
procure conhecer suas medidas extras de segurança.
8.
Pague em dinheiro por itens "embaraçosos"
Em
muitos países, como nos EUA,
todas as transações feitas por meios eletrônicos são facilmente rastreadas e o
comprador é identificado. "Assim, se você é um defensor da
vida saudável, mas por qualquer motivo come um hambúrguer e batatas fritas,
pague em dinheiro", diz a jornalista Kashmir
Hill.
Pessoas importantes já tiveram problemas por causa do tipo de vídeos que
alugaram nas locadoras, que pagaram por algum meio eletrônico.
"Também
é comum, em alguns sites de comércio eletrônico, o armazenamento do número do
cartão de crédito dos usuários para compras regulares. Essas práticas, dentre
outras igualmente temerárias, mais cedo ou mais tarde, se reverterão em
prejuízo certo, em transtornos gravíssimos. E, às vítimas, só restará o
arrependimento por terem contribuído inadvertidamente com seu próprio
malfeitor", diz Rechulski.
9.
Limpe o histórico e os cookies de seu navegador.
Se
você não toma essa providência frequentemente, configure seu navegador para que
faça isso automaticamente a cada sessão. Você também pode configurar o navegador
para não registrar o histórico dos sites que visita. Existem add-ons,
como o TACO, que o ajudam a reduzir
o rastreamento de sua navegação.
10.
Use máscara de IP.
Toda
vez que você visita um website, deixa uma pista de sua "presença",
na forma de informação de IP.
Quando o proprietário do site checa sua analítica, consegue detectar essa
informação. Se você não quer deixar pistas, deve usar um software que mascara
seu endereço de IP.
"Logo,
a segurança da informação só será efetiva quando sustentada, preponderantemente,
pelo tripé consciência em boas práticas de uso, tecnologia de proteção
sistêmica e efetiva aplicação da lei contra os cibercriminosos", conclui Rechulski.